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Texto reprovado #21 – Mais dois momentos de hiper-pensamento circular seguidos de soluções escapistas

dezembro 24, 2012

O pós-não: Bem, você me deu um fora. E sério, eu acho isso totalmente normal e correto, eu sabia que existia essa possibilidade, dizer “não” é um direito legítimo e constitucional que as leis do país te concedem e eu sou maduro o bastante pra saber que mesmo sendo pessoal não é nada pessoal e jamais iria guardar rancor de você por causa disso. Tanto que eu mesmo fiz questão de me comprometer a continuar te tratando do mesmo jeito e manter um relacionamento sadio e legal como sempre tivemos, sem nenhum tipo de clima estranho. Mas bem…é estranho. Porque boa parte do meu comportamento perto de você era, ainda que inconscientemente, focado em te impressionar para conseguir ficar contigo. Não era proposital, entende? Só depois que você disse não é que eu notei que não é o meu comportamento normal essa coisa de escolher roupa pra sair, pentear o cabelo, falar alto demais na mesa e mencionar o tempo todo que eu tenho essa cama muito grande em casa.

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Texto reprovado #20 – Novas diretrizes para contos eróticos após 7 anos de namoro

dezembro 24, 2012

“Quer transar?”

“Humm…Não sei…Você quer?”

“Sei lá, eu só pensei. Por que? Você não quer?”

“Acho que sim. Não tamos fazendo nada, né?”

“É, e ainda falta meia hora pro pessoal chegar.”

“Vamos transar então? Rapidinho?”

“Hummm…tá, vamos…”

 

“Tá, vira pra cá então”

“Ok”

“Não tira minha blusa, senão amassa, fica assim”

“Tá, mas me deixa achar um lado certo pra ficar, pera”

“Não, assim não, tá desarrumando meu cabelo, larga”

“Então sai de cima do meu braço…E coloca a perna pra lá”

“Peraí”

“Tô esperando. O que que tem com essa calcinha, hein?”

“Com a calcinha não tem nada, você que tá enrolado”

“Peraí, acho que consegui, deixa ver”

“Cuidado com a blusa, eu já falei…”

“Tá, mas então…pera…maldita bermuda…me dá uma ajuda?”

“Eu disse que não era pra colocar essa roupa velha…zíper idiota!”

“Calma, não puxa isso que eu tô sem cueca, cuidado…ai!”

“Você tá sem cueca? Seu cretino! Na casa dos meus pais e vem sem cueca…”

“Não grita comigo…Peraí…agora acho que vai…”

“Cuidado, tá doendo!”

“Desculpa, desculpa…”

“Toma cuidado, caramba!”

“Tá, peraí, agora encaixou, pera”

“Pronto, agora pode ir…”

“Tá…”

“Vai, pode ir…”

“Tô indo, tô indo…”

*

“Pronto, já foi…”

“Já?”

“Já…Eu disse que era rápido…”

“É…”

“Hummm…Que horas são?”

“Duas e dez…”

“Cedo ainda…”

“É…”

“Humm…”

“…”

“…”
“O que ta passando na TV?”

Texto reprovado #19 – Idéia não tão boa #78762

dezembro 24, 2012

 

Fórmula #76 para descobrir o quão legal uma pessoa é usando apenas uma frase

Pergunta: “Cara, você lembra do Falcão?”

Possíveis respostas e suas qualificações numa escala unificada de pessoas legais:

Falcão, o animal: pessoa babaca.

Falcão, o cantor do Rappa: nada de mais, mas mantenha suas reservas.

Falcão, o jogador de futsal: pessoa legal

Falcão, o cantor brega: pessoa muito legal.

Falcão, o personagem de Bruce Willis em “Hudson Hawk”: pessoa realmente muito legal.

A pessoa não fala nada e apenas sai voando, como um falcão: sério,  você deveria ficar amigo desse cara.

Texto reprovado #18 – 3 histórias mal-sucedidas de amor à primeira vista – Ep #1

dezembro 24, 2012

“Mas como ela era?”

“Bem, ela era linda…assim, não sei se era linda…linda pra todo mundo sabe? Pra mim ela era linda. E tinha background. Você sabe como eu me importo com background e coisas assim.”

“Tá, background. Mas como era a garota? Gostosa? Descreva. Riqueza de detalhes, por favor.”

“Você conhece o meu tipo, certo? Era baixinha, cabelo curto. Vermelho nas pontas. Sabe…você viu Scott Pilgrim, certo?”

“Não…o filme, você tá falando?”

“É, o filme. Viu?”

“Não, não vi.”

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Texto reprovado #17 – Da comunicação impossível (ou a eterna privação do Giovanni Ribisi absoluto)

março 17, 2011

A questão é que talvez eu não acredite realmente em comunicação. É, talvez eu, no fundo no fundo, não ache que as pessoas podem mesmo se entender. Pra mim parece que você nunca vai entender os motivos do meu não e eu nunca vou realmente pegar o que você queria dizer com o seu sim. Vamos conversar, claro. Vamos falar e vamos discutir. E eu vou usar as minhas palavras e as suas, e você vai usar as suas, as minhas e as de algumas músicas, alguns filmes. E vamos usar muitas palavras, muitas mesmo e em alguns momentos vamos achar que não existem as palavras certas e talvez nem existam palavras o bastante. E vamos continuar tentando.

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Texto reprovado #16 – Top 4 : Coisas que às vezes eu acho que só eu gosto em mulheres

janeiro 26, 2011

Todos nós temos nossas preferências, as nossas opiniões, nossos gostos. E claro, se algumas coisas são de gosto geral e defendidas por boa parte da humanidade (batatas fritas, monoteísmo, Beatles), outras (casamento consanguíneo, comer insetos, Gipsy Kings) são aceitas apenas por uma minoria bem restrita, quase sempre vítima de preconceito por parte dos outros. Eu, conforme fui crescendo, fui notando que, ainda que em vários aspectos as minhas razões de atração pelo gênero feminino fossem iguais as dos meus colegas de gênero (“colegiais? confere. fantasia de enfermeira? confere. gêmeas Olsen? como assim?”), em alguns aspectos eu tinha opiniões bem diferentes e via graça em coisas que nem todo mundo via. Para exemplificar isso, e claro, também para conseguir o apoio de outros caras e me sentir menos estranho, aqui vai uma lista com quatro características femininas nas quais parece que algumas vezes apenas eu vejo graça.

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Texto reprovado #15 – Cigarro

janeiro 24, 2011

Não se viam há dois anos e ele estava ansioso. Compreensivelmente ansioso. Incompreensivelmente ansioso. Tinha levado um livro, porque estava pronto pra esperar. Esperar porque sabia que ela ia se atrasar (isso se realmente aparecesse) e também porque sabia que estava ansioso e ia chegar antes. Foi bom levar um livro.

Ela demorava e ele acabou comprando um maço de cigarros. Não sabia muito bem o porquê, mas achou que seria uma boa idéia. Talvez porque mostrasse que ele tinha mudado (coisa que a camisa de 3 anos atrás e o livro que ela deu de presente não mostrariam), talvez porque qualquer distração fosse ajudar naquela hora, talvez porque o cara que ele viu com ela naquela festa em agosto estivesse fumando. Não chegou a abrir o maço, mas passou alguns minutos olhando pra imagem de advertência, com uma caveira feita de fumaça. Não parecia muito convincente, ele pensou na hora.

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